Encíclica verde, lançada pelo Papa Francisco, questiona o capitalismo

Fonte: Rádio EBC

Texto de Natureza Viva

 

 

O programa Natureza Viva repercute a encíclica verde, documento lançado na última quinta-feira (18) pelo Papa Francisco, que condena o atual modelo de mercado no mundial e propõe novos modos de vida. O professor Roberto Villar Belmonte fez uma análise desse documento, e segundo ele "o Papa agora é também o signatário de um documento revolucionário que começa circular o mundo".

"Pelo pouco que tive acesso ao texto, que começa a circular, dá para perceber que o Papa foi muito além do se esperava. Ele faz um afronta direta ao capitalismo, ao livre mercado. No mundo ambiental, nós temos correntes alinhadas à direita, que são aquelas ONGs e empresários que acham que pelo livre mercado, resolveremos os problemas ambientais, que eles entendem que são apenas uma falha de mercado; no outro extremo, temos os ecologistas mais ligados ao anarquismo, mais ligados aos movimentos sociais, que dizem que o capitalismo não é capaz de superar problema ambiental algum. É preciso superar o capitalismo e passarmos para um novo modo de produção, que não seja ligada ao lucro. E temos ao centro uma outra linha chamada de economia ecológica que, de certo ponto não rompe tanto com o capitalismo, ela dialoga com os dois extremos, e diz que é preciso regular o mercado; não é possível o mercado sozinho regular as questões ambientais. É nesta linha de economia ecológica que o Papa Francisco lança a carta encíclica. É esse o viés ideológico em que se enquadra essa encíclica", explica Belmonte.

Entre outros pontos, o Papa condena nesta carta qualquer proposta de internacionalização da Amazônia porque isso só serviria aos interesses das multinacionais, lembrou a apresentadora Mara Régia.

"Não se esperava esse alinhamento do Vaticano às ONGs. Me chamou a atenção que ele condena os créditos de carbono. Ele reafirma as responsabilidades comuns, mas diferenciadas, ou seja, somos todos responsáveis, só que os desenvolvidos são mais responsáveis porque poluem há mais tempo, mas questiona o mercado de créditos de carbono dizendo que isso é uma falsa solução. Ele diz que a solução não é o crescimento econômico. Ele avança mais do que o próprio Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente)", ressaltou o professor.